sábado, 3 de dezembro de 2016

A (nossa) criança e a prenda


Finamente descobri porque é que no Natal se dão prendas aos adultos. Porque é muito mais fácil. Se oferecermos um brinquedo ou um livro a um adulto, mesmo que não goste, ele não vai fazer cara de desgostoso ou de "a sério?!". Faz a cara que tem a fazer e vai ao www.preferiabeirao.pt no dia a seguir, mas sem nós sabermos. E nós ficamos a achar que ele gostou muito. Se for uma criança não, corremos o risco de ficar a olhar com cara de "que raio é isto?", largar aquilo e começar a brincar com o papel de embrulho. E nós não podemos carregar nas costas o peso de ter oferecido uma prenda que é menos interessante que o próprio papel em que vinha embrulhada. Então, imediatamente libertamos a criança que há dentro de nós, e começamos a brincar com o presente que nós próprios oferecemos, não só ensinando à outra criança como se faz, como também relatando alto e bom som a beleza e a utilidade do que acabámos de oferecer, para os pais e restantes adultos ouvirem. "Ah, olha tão lindo! Olha, dá para abrir, saem daqui coisas. Pode-se pôr isto aqui em cima, e fica uma girafa. É tão giro. E também dá para fazer castelos de areia na praia". Neste momento a criança pega naquilo, atira para longe, para não ter que passar por aquela vergonha alheia novamente, e agarra-se ao papel de embrulho. Já os pais, fazem a cara que têm a fazer e dizem "ah, ela faz sempre isso no início, amanhã já só quer brincar com isso". Claro que sim, aposto que foi o que o José e a Maria disseram aos Reis Magos quando eles ofereceram ouro, incenso e mirra ao menino. "Não se preocupem, se vierem cá amanhã por esta hora, ele já mudou o nome para Salgado, este estábulo parece uma loja d'o Boticário e já embalsamou o burro e vaca".
Eu acho-lhe uma graça...!

domingo, 20 de novembro de 2016

O triângulo - manual de instruções

Ah, o Outono... gosto tanto! As árvores vermelhas, as folhas a cair, as castanhas assadas, o friozinho, a lareira, a chuva... é, não é?! E os acidentes de viação, também gostas?!
Começa a chover, pronto. É toques por todo o lado. Pelo menos duas vezes por semana qualquer rotunda tem carros encostados uns nos outros e o triângulo lá atrás. Se for a rotunda dos patos é mais vezes, porque vai tudo a olhar para os patos. E porque numa das entradas na rotunda vem tudo a abrir.
Eu não sei se vocês concordam mas eu acho que o triângulo foi uma coisa que os portugueses inventaram para avisar os outros condutores que mais à frente houve molho, para começarem a abrandar e poderem passar bem devagarinho pelo acidente. Para terem cuidado e não se enfaixarem nos que já lá estão, não é? Não, para ver tudo, claro. Senão depois como é que podemos fazer a reconstituição do acidente? Há um protocolo a seguir quando vemos um triângulo fluorescente na estrada. Primeiro, ele deve ser colocado mais ou menos a 100 metros do local do acidente para dar tempo de tirar o telemóvel do bolso e ligar a câmara. Depois devemos abrandar e tentar imediatamente perceber se o acidente foi no nosso sentido ou no sentido contrário. Se foi do outro lado da estrada é mau, porque o nosso sentido está desimpedido e só podemos abrandar mas não parar. Se foi no nosso sentido óptimo, que assim passamos mais perto e podemos parar. Se o nosso sentido tem duas faixas e o acidente foi na nossa, ainda melhor. Assim podemos ir nessa faixa até mesmo em cima deles, muito devagarinho, parar ao chegar ao pé do acidente para ver tudo muito bem desse ângulo e só depois mudar para a faixa desimpedida, para ver tudo de outro ângulo. Sim, ao passar pelo acidente é permitido mesmo parar, para tirar fotos. Depois vemos se há sangue, alguém caído, ou se foi só chapa. E vemos se é alguém conhecido. Se é, paramos logo à frente, para entupir ainda mais o trânsito. Se não é, seguimos viagem a esgalhar, como é óbvio. A estrada está livre é para andar.
Eu acho-lhe uma graça...!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Diz-me o teu email, dir-te-ei a tua idade

Todos nós já recebemos emails com endereços que imediatamente revelam a idade da pessoa por incluírem o ano de nascimento, aqueles como "maria1998@hotmail.com" ou "joao.almeida.1989@iol.pt". Se eu fosse um ácaro, ou um programa de computador, a primeira coisa que fazia para tentar descobrir a vossa password era utilizar o ano de nascimento, que vocês próprios revelaram no endereço. Sim, porque me parece bastante provável que quem o põe no endereço também o utilize para a password... Um conselho: criem um endereço de email menos revelador, e mudem a password. Ah, e se o vosso email incluir o apelido da vossa mãe, como "antonio.castro.oliveira@live.com.pt" por favor não escolham como pergunta de recuperação da password "nome de solteira da mãe"! Silêncio...
Eu acho-lhe uma graça...!

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O copo meio cheio

Todos nós já passámos por aquele momento em que estamos num bar, numa festa de verão, num convívio, numa discoteca, num festival de música, no meio da multidão... e queremos beber uma cerveja! Isto não é um problema, são vários. O sítio onde se vendem está longe, é preciso passar no meio da multidão, perder o nosso posto tão confortável que tínhamos arranjado, levar encontrões de todo o lado... E chegando lá continuam. É preciso senhas pré-compradas noutro lado qualquer, está uma fila descomunal, e raramente nos dão um fino à borla por cada um que pedimos. Ninguém gosta deste ritual. E olhem que há quem goste muito de cerveja! Toda a gente liberta, mesmo que seja em silêncio, um "epáááá..." de desalento, num misto de desejo de matar a sede com uma cervejinha com uma quase certa odisseia desesperante para consegui-lo... Toda? Não! Uma pequena aldeia, habitada por irredutíveis gauleses ... esqueçam, isto é outra história.
Há sempre um amigo que está disponível para ir buscar os finos de toda a gente! Como? Porquê?! Qual pode ser a vantagem de ir buscar 5 finos e passar por este cenário todo, agravado pelo facto de ter que voltar para trás com cinco finos nas mãos, e entornar metade de cada copo no caminho? É precisamente aí que está o ouro, meus caros. O gajo sabe perfeitamente que ninguém o vai chatear quando ele chegar com cada copo um pouco menos cheio, porque toda a gente sabe pelo que ele tem que passar... com cinco finos na mão. Pois é, a verdade é que ele não os foi entornando pelo caminho com os encontrões... ele bebeu, pelo menos, um golito ou dois de cada copo. Este gajo, de cada vez que lá vai, é um grande amigo, mas bebe pelo menos o equivalente a um fino dos copos todos! E ainda fica com um fino para ele à borla, porque é mais fácil convencer o pessoal que serve a oferecer um fino por cada cinco, de vez em quando. Não admira que ao final da noite esteja a puxar uma carroça. "Epá, entornei um bocadinho sem querer de um copo ou dois, está muita confusão". Ai é, meu estadulho, e vens com os copos todos a meio porquê?!
Eu acho-lhe uma graça...!

sábado, 3 de setembro de 2016

Mais uma voltinha, mais um gritinho

Alguém me explica o que vai na cabeça daquelas pessoas que vão andar num carrossel e quando aquilo abranda a meio antes de andar outra vez ainda mais depressa e o senhor que põe aquilo a andar pergunta ao microfone "querem maaaais?" elas dizem "nããããão"...?! Ou melhor, alguém lhes explica que o objectivo é andar o máximo de tempo possível, e que aquilo ande o mais depressa possível? E eu não estou a falar dos que dizem "nããããão" a brincar, mas sim dos que estão mesmo a falar a sério. E começam também a fazer gestos e a gritar para os amigos que estão cá em baixo "Eu não quero mais! Chega! Vão lá dizer para parar! Nããããão...". Por acaso estas pessoas vão ao cinema e ao intervalo pedem para passar logo para aquelas letras do fim!? Pois, claro que não.
Também há aqueles que vão aos gritos do início ao fim, em falsete. Acham que aquilo é mais engraçado se forem o tempo todo aos gritinhos. Tenho uma novidade para vocês, não é fixe, é só... irritante, vá. Mais irritante só aqueles que passam a viagem toda a dizer adeus cá para baixo, mais ou menos como aqueles putos que vão no carro virados para trás a dizer adeus até obrigar o condutor que vem atrás a fazer um desvio só para não ter que os aturar mais. Estes ainda é pior porque como aquilo anda às voltas eles entram num loop de acenos em que o entusiasmo deles se renova a cada volta. Os putos no carro ao menos fartam-se e alguns desistem.
Eu acho-lhes uma graça...!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

À terceira nem sempre é de vez

Quem é que não sabe como é que se decide quem vai à baliza naqueles jogos da bola com amigos? Eu explico. A não ser que seja um GR fixo, o que é raro acontecer nestas peladinhas amigáveis, é a rodar entre todos os jogadores da equipa. E o critério para trocar o GR é a equipa sofrer golo.

Sofremos golo? Troca. Menos aquele que tem óculos e diz logo que não vai, porque tem medo de partir os óculos. Toda a gente percebe que é uma desculpa para não ir à baliza, mas como ninguém quer parecer moralmente reprovável, aceitam que ele não vá à baliza. Mas ele só faz isso uma vez, normalmente depois nunca mais é chamado para os jogos. Ah, e nesse jogo ninguém lhe passa a bola, claro. Também há aquele que diz assim "ah e tal, é melhor eu não ir, porque sou muito mau na baliza..." na esperança de não lhe calhar a vez. Ahahaha! Este vai na mesma, e sofre uma frangalhada que toda a gente vê que foi de propósito para sair da baliza rapidamente. Nesse caso fica na baliza outra vez que é para não se armar em esperto e ainda ouve uns nomes, sendo que os mais simpáticos devem ser algo como "oh mãos de aranhiço" ou "frangueiro de m**da". No caso de o GR sofrer uma frangalhada inacreditável mas não propositada (que às vezes é difícil distinguir, de tão inacreditável que é), os colegas de equipa não lhe chamam nomes mas viram-se para a frente para fazer caras feias e para recomeçar a jogar rapidamente, sem lhe dizer nada. E ele é obrigado a ficar na baliza mais uma ronda até sofrer golo outra vez. Ou até a própria equipa marcar 2 golos, que corresponde sensivelmente a um tempo razoável para trocar o GR que está a portar-se bem e a defender em condições. Se marcarmos 2 golos antes de sofrer, em princípio já passou tempo suficiente, porque 2 golos ainda demora a marcar. É outro critério para trocar o GR.

E como é que se decide a ordem pela qual os jogadores vão rodando pela baliza? É logo no início, antes de começar a jogar, e basicamente é por ordem de chegada. Depois de se definirem as equipas, em cada equipa os jogadores vão dizendo "sou o último a ir à baliza", "eu sou o penúltimo", etc... e aqui chamo a vossa atenção, porque escolher a posição na lista de troca de GR tem ciência! Vou desvendar as minhas tácticas para não ir à baliza nos jogos da bola com os meus amigos. Sim, isso mesmo. Tenho 2 tácticas preferidas, que vou utilizando consoante o perfil dos colegas que me calham na equipa.
1. Táctica do meio (é a minha preferida, a que resulta mais vezes)
Escolho ser "o terceiro a ir à baliza". Porquê... vai o primeiro, tudo bem, ainda está tudo cheio de vontade de jogar, a correr que nem uns doidos. Marcamos golo, sofremos golo, troca o GR. Vai o segundo. Tudo bem, segue o jogo. Com sorte, antes de sofrermos golo conseguimos marcar 2 golos, o que leva mais algum tempo. Marcámos 2, troca. É o terceiro (eu), mas... há SEMPRE um gajo que já está cansado e pede "deixa-me ir eu agora à baliza para descansar um bocado". Tudo bem. Segue o jogo, marcamos golo, sofremos golo, troca. Quem é? O quarto. Segue o jogo. Nisto, quem é que NÃO foi à baliza... exacto, o terceiro! E vocês agora pensam assim, se ele dissesse que era o último ainda era melhor, porque havia mais gajos cansados. Falso. Quando chega ao último já está tudo cansado, incluindo eu, e já toda a gente quer ir para a baliza na sua vez, para descansar. Ou seja, esta táctica do meio permite-me não ir à baliza e continuar a jogar quando ainda consigo respirar. Não precisam agradecer.
2. Táctica do baralha e volta dar (só resulta às vezes, é táctica de recurso)
Se alguém se antecipar a dizer que é o terceiro (porque já me toparam) digo logo assim "sou a seguir ao último". O que é que acontece... uns nem se apercebem que a seguir ao último não há ninguém, e deixam-me ficar com essa posição. Para esses nunca chegará a minha vez de ir à baliza. Os outros ficam ali a discutir comigo se "a seguir ao último é o primeiro" ou não. E eu prolongo a discussão até a outra equipa começar a chatear para começar a jogar, porque estamos a perder tempo. A este ponto, o importante é não dar o braço a torcer e não aceitar que "depois do último" é o primeiro. O que é que acontece, há SEMPRE alguém que aceita começar na baliza, só para o jogo iniciar. Obviamente esse que começa na baliza não tinha escolhido ser o primeiro, porque ninguém escolhe ser o primeiro. Resultado: baralha e volta a dar, e eu escolho ser "o terceiro a ir à baliza".

Eu acho-lhe uma graça...!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Se fizer músicas nos Santos, não beba

Santo António (13 de Junho) já se acabou
O São Pedro (29 de Junho) está-se a acabar
São João, São João (24 Junho)
Dá cá um balão
Para eu brincar
(...)

A única explicação que eu encontro para isto é a Lenita Gentil ter bebido o vinho antes de comer o caldo verde, a broa e a sardinha, ou então ter fumado o manjerico...

sexta-feira, 24 de junho de 2016

As piquenas coisas da vida

A idade traz mudanças dramáticas na nossa vida. Não, não estou a falar dos cabelos brancos nem das dores nas costas... isso são males menores. A vida de uma adorável pessoa de 3ª idade ganha um novo sentido em todas as piquenas coisas!
Uma velhotinha deixa de tomar o pequeno-almoço, passa a comer o piqueno-almoço, sempre às 6h25, um copo de leite frio e uma fatia de pão integral, com manteiga magra. Já não come um iogurte dos grandes antes de se deitar, come um iogurte dos piquenos, que são mais maneirinhos. As letras do jornal passam a ser tão piquenas que já é muito difícil ler mais do que os títulos. Já não consegue coser botões nas camisas, o buraco da agulha é tão piqueno para enfiar a linha...
E o pior é que o rodapé dos programas da tarde é tão piquinino que nem dá para ver os números para ligar. Isto então é um piquinino grande sinal de que o fim está perto. E ninguém fala disto.
Eu acho-lhe uma graça...!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O caminho faz-se caminhando... principalmente para Fátima

Peregrinos. Peregrinos por todo o lado. A Wikipédia, essa bíblia da (des)informação, diz que peregrinação vem do latim per agros, isto é, pelos campos. Mais uma vez, mentira. Basta passar no IC2 e verificar que os peregrinos andam por todo o lado menos pelos campos. É vê-los de colete reflector a andar quase na berma da estrada, como se estivessem a passear num percurso pedestre. Eu não sei se vocês, peregrinos, sabem, mas o IC2 é interdito a transeuntes apeados. Aquelas tabuletas não são códigos internacionais de peregrinação, são sinais de trânsito rodoviário.
É perigoso fazer não-sei-quantos Kms a pé pela via-rápida, para chegar a Fátima. E olhem que não falo só das bolhas! "Ah, mas é mais rápido"... então mas é uma peregrinação ou é uma corrida?! Se é para chegar a Fátima rapidamente, eu tenho algumas ideias melhores do que ir a pé.
Eu acho-lhes uma graça...!

quarta-feira, 27 de abril de 2016

No princípio era o fim

Já repararam que é fisicamente impossível não começar a comer uma salsicha pelo fim? E a razão é simples. É porque a salsicha não tem um fim... tem dois! Por isso, por muito que uma pessoa tente arranjar maneira de começar a comer pelo princípio e acabar no fim, não há-de chegar ao fim sem ter começado também pelo fim. E não vale a pena tentar acabar com isso, vai ser sempre assim... mais ou menos como as pessoas que dizem "chauchicha". Por muito que se lute contra isso, também as há-de sempre haver. Eu não gosto muito de salsichas, e de "chauchichas" ainda gosto menos.
Eu acho-lhe uma graça...!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Prognósticos só no fim do jogo

Na televisão, as receitas gastronómicas são sempre feitas com ingredientes que resultam bem. Não é que combinem uns com os outros, aquilo resulta bem, é diferente.
Sempre que vejo uma demonstração culinária na televisão fico sempre com a impressão que aquilo tanto pode ser delicioso como pode ser intragável. Resulta bem... sei lá se resulta, eu só os vejo a preparar aquilo, não os vejo a provar! Apresentam sempre uns pratos meio esquisitos, tipo papelotes de salmão com puré de couve flor e erva azeda, como sendo maravilhosos, mas nunca comem. A mim não me enganam. Eu só acredito que resulta bem se eles comerem e não fizerem cara estranha. Senão não vale! Assim também posso fazer carreira a construir barcos de papel. Pego numa cartolina, faço um barco todo bonito e ainda lhe escrevo "rei dos mares" dos dois lados. Digo que aquilo é fantástico para esta altura do ano (que é outra coisa que os cozinheiros... desculpem, chefs gostam muito de dizer) e que resulta muito bem no canhão da Nazaré. Desde que não o ponham na água.
Eu acho-lhe uma graça...!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Montras de Natal

O meu dia preferido da época natalícia é o dia a seguir ao dia de Natal. É o dia em que as pessoas saem à rua com TODA a roupa que receberam na noite ou no dia de Natal, mesmo que nada combine com nada.
Experimentem ir ao parque verde assim a seguir ao almoço. Antes de saírem do carro fechem os olhos e imaginem um manequim masculino da Zara, com uma camisa de cerimónia cinzenta, oferecida pela esposa para ver se o marido deixa de ir a casamentos com aquela camisa de manga curta aos quadrados. Agora adicionem-lhe uma gravata com bonecos de neve, oferecida pelo filho mais novo, porque o pai é uma criança grande. Por cima um casaco da neve, daqueles chumaçudos e coloridos, oferecido pelo irmão, para irem passar uns dias a Andorra nas próximas férias da Páscoa. Tem um cachecol de lã, feito pela mãe, já meio estragado de ficar agarrado aos velcros do casaco da neve e ser puxado. Apesar de estar de chuva, está com um boné do Benfica, oferecido pelo sogro. Espectáculo! Não tem frio nas pernas, apesar de estar vestido com uns calções de banho à surfista, oferecidos pelo filho mais velho, para convencer o pai a experimentar o bodyboard com ele. Nos pés tem as indispensáveis meias, daquelas de lá grossa com a imagem de duas renas no lugar das duas raquetes cruzadas, oferecidas pela tia. E calçado tem umas Crocs, vermelhas, daquelas que tem pêlo para usar no inverno mas que é destacável para ir jardinar no verão. Foram a prenda da cunhada. Dão mesmo jeito para ir para o parque verde brincar com o drone que ele ofereceu a si próprio. Agora abram os olhos e saiam do carro. Não, não é uma montra da Zara ao ar livre. É o vosso vizinho.
Eu acho-lhe uma graça...!


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Vamos CORRER com a indisciplina

Vivemos num Mundo indisciplinado, onde há poucas ou nenhumas consequências para a mentira e a aldrabice. O melhor CEO da Europa e arredores justifica um investimento de 90% da tesouraria da sua empresa num banco falido com "errr... hmmm... não, o... pfff... era onde estava investido" e a justiça assobia para o lado, como se ele (e outros) não merecesse dois pares de estalos naquele focinho! Mas há por aí muito boa gente que faz a mesma coisa, à devida escala. Então ouve-se uma pessoa dizer "vou a correr para casa" de ânimo leve e não se faz nada. Não se diz nada sequer?!
Não é invulgar ouvirmos esta expressão, repetida vezes e vezes sem conta, como se de uma brilhante estratégia para chegar a casa mais rápido se tratasse. "Ah, vou a correr para casa, que assim ainda chego a tempo de ver a montra final do Preço Certo". Ai sim?!
Eu elaborei uma lista de meios de transporte que permitem uma pessoa chegar a casa, ordenada de forma crescente pelo tempo que a pessoa leva a chegar a casa:

  • Helicóptero
  • Mota
  • Automóvel ligeiro
  • Autocarro
  • Bicicleta
  • Patins
  • CORRER
  • Andar rápido
  • Andar normalmente
Reparem, a pessoa quer chegar rápido a casa e escolhe uma opção que está no fundo da lista. Faz algum sentido? E pior que isso, a pessoa que diz "vou a correr para casa" NÃO vai a correr, na maioria dos casos vai com o c* tremido no carrinho. Eu quando digo "vou a correr para casa", vou mesmo. Ainda ontem fui, e aproveitei para elaborar uma lista de locais onde o passeio público tem ramos de árvores atravessados, que posso disponibilizar à CMC. Se os senhores autarcas fossem a correr para casa, talvez fizessem alguma coisa. Mas isso demora muito, e eles querem ver se os concorrentes do Preço Certo entregam os presentes da Câmara para o Fernando Mendes e referem o nome da autarquia.
Eu acho-lhe uma graça...!

terça-feira, 28 de julho de 2015

Queres dar(-me) o nó?

Está aberta a época dos casamentos. E com ela, inevitavelmente, tempos difíceis para os homens. Só digo isto: nó da gravata...! Ninguém quer ir a um casamento com um nó de gravata mal feito. O problema é que fazer o nó da gravata não é para todos.
Há de tudo. A começar pelos que compram uma gravata, pedem à funcionária da loja para fazer logo o nó (duvido que exista alguma loja de gravatas cujas funcionárias não saibam fazer o nó) e nunca mais o desfazem. A gravata dura uma vida inteira com o nó original feito, mesmo não sendo um nó cego. Até fica com uma cor diferente naquela zona, de nunca apanhar um bocadinho de sol. Mas também não faz mal, porque nunca se vê, o nó nunca é desfeito. E quando isso, por algum motivo, acontecer, compram outra. Mas noutra loja, porque a funcionária daquela loja faz nós muito fraquinhos! Depois há os que não sabem fazer nós de gravata mas acham que sabem. Pegam na gravata, amarfanham-na toda, dão 3 voltas e no fim ficam com um nó de gravata que parece um repolho. Mas não dão o braço a torcer, aquilo para todos os efeitos está óptimo, "é um nó diferente". Também há os que dão meio braço a torcer. Tentam fazer, ficam com um nó de gravata que parece um repolho, desfazem, pedem a alguém para fazer (e a pessoa faz um nó em condições, claro) e no final dizem "pronto, não está muito melhor do que eu tinha feito mas agora fica assim que já estamos atrasados". Felizmente há os que têm noção das suas limitações e pedem logo a alguém para fazer o nó. Mas quando lhes dizem que aquilo está um bocadinho torto, lá para o meio da festa, dizem "pois, foi o Xico que fez". E ainda há os que vão ver à internet como se faz um nó de gravata, treinam mil vezes até conseguir fazer um nó que se aproxima de um nó bem feito, e depois andam o casamento todo a perguntar aos amigos se não querem que ele próprio lhes faça um nó melhor, "faço-te um como o meu, olha aqui", todos orgulhosos. Mas o meu preferido é aquele que faz um nó de gravata quase como se fosse um atacador dos sapatos. "Mas que raio de nó de gravata é esse?" (normalmente quem diz isto é um daqueles que viu na internet como é que se fazia o nó), "É para ser mais rápido, daqui a bocado já é para pôr a gravata na testa".
Eu acho-lhes uma graça...!

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Bons dias

"Bons dias"?!
A crise realmente chega a todo o lado... Até à cordialidade das pessoas. Só pode ser isso! Já não se deseja um "bom dia" só, repetindo-o simpaticamente dia após dia, como deve ser. Agora deseja-se logo meia dúzia de "bons dias", deve ser mais barato. E se é mais barato, é de aproveitar. Se ainda não é, vai ser, e é melhor aproveitar! Nunca se sabe quando é que o Governo se lembra e começa a cobrar pela boa educação das pessoas. E um homem prevenido vale por dois, ou por meia dúzia, neste caso. Se amanhã se lembrarem de inventar um imposto qualquer sobre o número de vezes que se cumprimenta as pessoas com "bom dia" eu quero ver... Esses dos "bons dias" é que são espertos. Então não se diz "bom dia" às pessoas? "Desculpe, eu não lhe disse "bom dia" hoje mas já tinha dito há 3 meses. Sou muito poupadinho, senão o dinheiro não chega para tudo". Se for no autocarro 36 então dá para um ano, que as pessoas são todos os dias as mesmas.
Eu acho-lhes uma graça...!