terça-feira, 13 de junho de 2017

Mach Vileda

Há 341 anos o astrónomo dinamarquês Ole Romer determinou a velocidade da luz, ao estimar os eclipses de uma lua de Júpiter. A descoberta foi controversa e apenas quase duas décadas depois da sua morte o cálculo foi confirmado, como acontece com quase todas as grandes descobertas. Pois bem, preparem-se para recordar o meu nome daqui a uns anos. Sim, fiz uma grande descoberta! Descobri a velocidade da transmissão de informação da vida privada de terceiros por empregadas de limpeza. Atenção, tenho todo o respeito por esta profissão, que é tão digna quanto qualquer outra. Excepto, obviamente, quando estas profissionais transmitem informação da minha vida privada. Também não quero ser acusado de machismo, como aconteceu ao Gerrard aí há uns dias, por isso devo também dizer que não tenho nenhum preconceito relativamente à ocupação desta profissão por homens, desde que não seja eu, claro. Mas só porque não gosto, não que veja nisso algum problema.
Bom, dito isto, voltemos ao que interessa. Toda a gente sabe que uma "novidade" é revelada pela senhora da limpeza "em menos de nada". Mas quanto é "menos de nada"? Esta é a questão. Apesar de ser um fenómeno muito antigo e sobejamente conhecido, nunca ninguém o quantificou. Até hoje, porque eu descobri a resposta. Eis a fórmula:

velocidade = c + (e^-a)*n
c = velocidade do som, determinada pelo dinamarquês; a = constante de afinidade por ti; n = número de coisas desarrumadas em cima da mesa.

Parece complicada? Não é. Vejamos.
Podem desde já verificar que a velocidade com que a senhora da limpeza conta coisas sobre ti é, no mínimo, igual à velocidade do som. O que é tão interessante como fácil de perceber: se os termos seguintes se anularem, a informação propaga-se à mesma velocidade com que é dita, de viva voz, ao próximo. Ou aos próximos 10, se estiverem todos junto à máquina do café.
No entanto a velocidade pode tomar valores tanto maiores quanto menor é a constante de afinidade da senhora da limpeza por nós e quanto maior é o número de coisas desarrumadas em cima da mesa que ela deve limpar. Note-se que o efeito da afinidade é exponencial. Se ela não gostar de ti, nem que seja só um bocadinho, já foste. Não menos considerável é o efeito do número de coisas desarrumadas em cima da mesa, não só porque as irrita como aumenta a probabilidade de encontrarem coisas sobre nós. Devo dizer que testei esta fórmula exaustivamente no que respeita ao número de coisas espalhadas em cima da mesa, desde 0 (o trabalhão que me deu arrumar aquilo tudo...) até "não se vê o tampo da mesa" e essa parte da equação é exacta! Já na parte da afinidade posso admitir algum desvio do valor real, uma vez que nunca consegui uma estimativa melhor do que um termo binário, gosta ou não gosta de mim, que é basicamente 1 se ela me diz "bom dia" ou 0 se passa por mim como se eu não existisse e deixa cair levemente o pano no cantinho da minha mesa, como quem diz "não arrumes isso, não... 'tás cá com uma sorte".
Eu acho-lhe uma graça...!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Não és homem nem és nada

Eu ainda sou do tempo em que a corrupção se fazia sem dinheiro, entre homens! Não havia cá notas por baixo da mesa, vouchers para restaurantes gourmet ou contas na Suíça em nomes de (grandes!) amigos. Se alguém precisava que um amigo fizesse alguma coisa, normalmente uma asneira das grandes (ou seja, o motivo mantém-se), bastava proferir a mítica e inexorável afirmação retórica "não és homem, nem és nada!", e estava feito. Podia ser a coisa mais estúpida, mais imbecil, mais perigosa, mais desonesta, mais reprovável... se alguém ousasse dizer estas palavras, era certinho que o amigo ia fazê-lo. Pela honra, claro! Como hoje. Só que na altura tínhamos 14 anos e fechar o amigo todo nu fora de casa não fazia assim tanto mal aos outros.
Eu acho-lhe uma graça...!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Facebook, o pior amigo dos aniversariantes

O Facebook definitivamente veio mudar o Mundo. Em muitas coisas, para melhor. Mas noutras, para bem pior, como no caso dos aniversários. Se eu nunca soube o que fazer quando me cantam os Parabéns, uma questão que aliás já discuti publicamente, hoje em dia nem sequer sei o que pode acontecer no meu dia de anos. Antes do Facebook recebíamos telefonemas da família e de dois ou três amigos, algumas SMS, e calduços de todos os colegas da turma, tantos quantos o número de anos completados. Eram bons tempos...! Depois do Facebook, isto mudou. Continuamos a receber telefonemas da família, e ainda bem. Quem não gosta do telefonema da avó a dar os Parabéns, ano após ano a dizer "ai filho, parece que foi ontem que nasceste...", e sobretudo, quem não gosta de saber o tempo que fez na terra da avó na semana inteira antes do seu dia de aniversário?! Mas há coisas novas. Por exemplo, recebemos na mesma o telefonema da mãe, mas já depois dela partilhar com toda a gente fotografias nossas de quando éramos pequenos no Facebook. O que é muitíssimo perigoso. Se há anos em que calha a partilhar uma fotografia de nós quando éramos bebés, estamos safos. Dezenas de likes e comentários "Ah, que fofinhos. Parabéns pelos amores maravilhosos, e tal... </corações; beijinhos; trevos de 4 folhas>". Mas às vezes calha-nos a partilha de fotos de quando tínhamos por exemplo 14 anos... e aí a nossa reputação leva uma tareia das antigas. Uma vez tive que bloquear comentários de amigos durante 15 dias! O mais simpático devia ser "Parabéns... por teres sobrevivido a ti próprio </chorar de rir; língua de fora; sorriso com óculos escuros>".
Eu acho-lhe uma graça...!

sábado, 21 de janeiro de 2017

MALTA ONDE É QUE VAMOS?! Para casa, claro...

Todos sabemos que os festejos de aniversário com amigos não podem acabar no final do jantar. É quase obrigatório ir beber um copo a algum lado. O problema é quando chegas aquela idade em que os teus amigos, mais ou menos da mesma idade, já não querem ir beber copo nenhum, querem é ir para casa beber água das pedras e dormir. Mas ninguém diz! Vão pagando e tal, vão vestindo os casacos, o aniversariante sempre a pedir sugestões para a próxima paragem da malta "ENTÃO PESSOAL, ONDE É QUE VAMOS A SEGUIR?!", normalmente já em tom de 2 jarros de sangria... e tudo caladinho. Vão saindo, todos atrás do mais desesperado por ir para casa vestir o pijama e calçar as meias grossas. Mas como ninguém quer assumir que já só quer é mantas, ficam todos à porta. A conversar, a queixar-se do frio, a comentar em tom disfarçadamente ansioso "Epá, já são estas horas...". Toda a gente percebe o que quer dizer isto, não é... Excepto o aniversariante! Chega, sem frio nenhum, e continua a sua cruzada "MALTA, TUDO PARA O SÍTIO DO COSTUME!" (aquele bar onde costumavam ir quando ainda não tinham esta quantidade de primaveras nos ossos). Até que o primeiro corajoso dá o corpo às balas "Olha, eu não vou... Hoje passo." e leva imediatamente com a rajada mais crente do aniversariante "O QUÊ?! AI VAIS, VAIS! NINGUÉM ABANDONA. VAMOS LÁ". Não percebe que não só a batalha está perdida, como metade das tropas vai aproveitar e bater em retirada. É vê-los uns atrás dos outros, quase como se tivessem tirado a senha do adeus, "Pronto, nós também vamos. Amanhã temos que acordar cedo" e o aniversariante cada vez mais descrente, mas sempre inconformado "OUTRO?! VÁ LÁ, SÓ UM BOCADINHO...". Até ficar só o aniversariante, a companheira, que também quer ir embora mas sabe que tem que ficar até ao fim para levar o carro, dois ou três amigos que beberam o resto da sangria e não têm frio, e o mais novo do jantar, que tem uns 20 anos e vai com eles mas já a mandar mensagens aos outros amigos novos a perguntar onde é que estão para ir ter com eles.
Tenho um conselho para a malta que já tem que passar por isto. Não fiquem para o fim da fila, as desculpas começam a ser cada vez menos credíveis e já toda a gente percebeu que vão para casa dormir como os outros que não têm nada para fazer "amanhã" cedo. Mesmo que seja verdade quando dizem "amanhã tenho que ir fazer análises", já houve três ou quatro que disseram isso primeiro.
Eu acho-lhe uma graça...!

sábado, 7 de janeiro de 2017

Natal é doces, Natal é convívio, Natal é alegria

Ontem foi dia de Reis, parece que o Natal acabou.
Deixo aqui o meu top de respostas à minha pergunta "Então o teu Natal foi bom?":

1. (Com cara triste...) A minha avó não sabe fazer arroz doce. (Homem, ~9 anos)

2. Estive com a minha prima, ela só vem cá cerca de 2 vezes por ano - Onde é que mora a tua prima? No Brasil? - Não, em Aveiro. (Homem, ~6 anos)

3. Uma merda. (Mulher, ~27 anos)

Tive pena dos 3...!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O novo Presidente de mercúrio

O nosso Presidente foi dar o primeiro mergulho de 2017 no primeiro dia do ano, na mesma praia em Cascais, onde tinha estado no dia anterior, último dia do ano, para o último mergulho de 2016. A imprensa sublinhou coisas inúteis como "em outros anos teve a companhia dos filhos mas este ano deu um mergulho sozinho", "chegou a falar em alemão com alguns turistas" ou "não recomendou a tradição a ninguém"... e não houve uma única referência ao super-poder de Marcelo Rebelo de Sousa, o de medir a temperatura da água com exactidão até às décimas, sem recurso a qualquer instrumento. Pior, ninguém reflectiu sobre as implicações que isto traz para o emprego em Portugal. Que não me parecem as melhores! Quando lhe perguntaram como estava a água, Marcelo respondeu "está mais quente que ontem, ontem estavam 14.7º, mas eu não acho que esteja 16.1º, acho menos". Portanto, sente uma diferença de temperatura inferior a 1.4º. Marcelo é practicamente um termómetro humano. Entra na água, dá duas braçadas, e arrasa o trabalho de meia dúzia de colaboradores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Sim, porque quando descobrirem que o Marcelo só precisa dos pêlos do peito, em princípio, para fazer o que essa malta faz com equipamentos caríssimos... e ainda por cima falham sempre! Pela amostra, o casamento de Marcelo com o Governo é coisa do ano passado (cá está, a piada-cliché na referência a algo que aconteceu 1 dia ou 2 depois da passagem de ano e portanto já não acontecia desde o ano passado).
Eu acho-lhe uma graça...!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Os cara de joelho

Recentemente escrevi um pequeno texto, que gerou alguma controvérsia, sobre uma lei moral (em princípio lei da física não é..) que nos obriga a identificar a árvore genealógica de um bebé, só de olhar para ele. Mais do que ter uma opinião sobre se o bebé é bonito ou feio, o que importa é não falhar na identificação do nariz do avô e do sorriso de uma tia da mãe, em terceiro grau. Até parece que o bebé não é uma nova pessoa, com identidade, e com a sua própria dose de beleza. Em princípio é normal que tenha a boca da mãe e os olhos do pai. Se foram eles que o fizeram, o que é que isso tem de extraordinário?
Mas atenção, e peço desculpa se não fui claro, isso uma questão diferente de haver ou não bebés recém-nascidos que são lindos! Só se consegue começar a desenhar árvore genealógica do bebé lá para os 3 meses ou assim. Antes disso, a mim pelo menos custa-me distinguir o nariz de uma toupeira do nariz de um rato de esgoto. Apareceram logo as mães, a dizer que é mentira, que os próprios bebés eram lindos ainda dentro da barriga e não sei quê... não faz sentido. Não são. Só aos vossos olhos. É das hormonas. Não é a desculpa que vocês usam para tudo? Eu aposto que se mostrar uma ecografia do meu joelho a uma recém mãe ela diz que o meu futuro bebé vai ser lindo, e que "tem os olhos lindos como o pai". Não... é o menisco fracturado.
Quando tenho lá uma mãe a dizer que não só eram lindos como continuam a ser passados 32 anos, enfim... tenho que pensar se vale a pena continuar a escrever para cépticos.
Eu acho-lhe uma graça...!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Não há bebés bonitos

Um bebé não é bonito nem feio. É parecido com a mãe, é a carinha do pai, tem as orelhas da avó, os olhos do tio... mas é bonito ou feio? Não se sabe. No máximo, é querido, ou fofinho. Sim, mas é um bebé lindo, não? Ah, isso não sei dizer. Mas que é igualzinho ao irmão quando tinha a mesma idade, lá isso é. Olha aqui nesta fotografia! Parece que há uma obrigação moral (porque legal, em princípio não é) de identificar pelo menos três membros da família do bebé pelas feições do próprio. Senão, somos insensíveis.
Pessoas com filhos bebés, proponho-vos um jogo giro: peguem num bebé aleatório, de um amigo ou assim, apresentem-no a 10 pessoas (que não conheçam esse vosso amigo) como sendo vosso e perguntem-lhes se o vosso bebé é lindo. A minha previsão é a seguinte: 3 pessoas vão dizer que é igualzinho à mãe, 5 pessoas vão ver o sorriso do avô, vosso pai, e 2 pessoas vão dizer que parece que estão a ver-vos quando tinham aquela idade. Depois digam assim "Pois, mas o meu bebé não é esse, é este!" e mostrem o vosso bebé verdadeiro. Não esperem mais do que "Ah, ai é? É fofinho...".
Eu acho-lhe uma graça...!

sábado, 3 de dezembro de 2016

A (nossa) criança e a prenda


Finamente descobri porque é que no Natal se dão prendas aos adultos. Porque é muito mais fácil. Se oferecermos um brinquedo ou um livro a um adulto, mesmo que não goste, ele não vai fazer cara de desgostoso ou de "a sério?!". Faz a cara que tem a fazer e vai ao www.preferiabeirao.pt no dia a seguir, mas sem nós sabermos. E nós ficamos a achar que ele gostou muito. Se for uma criança não, corremos o risco de ficar a olhar com cara de "que raio é isto?", largar aquilo e começar a brincar com o papel de embrulho. E nós não podemos carregar nas costas o peso de ter oferecido uma prenda que é menos interessante que o próprio papel em que vinha embrulhada. Então, imediatamente libertamos a criança que há dentro de nós, e começamos a brincar com o presente que nós próprios oferecemos, não só ensinando à outra criança como se faz, como também relatando alto e bom som a beleza e a utilidade do que acabámos de oferecer, para os pais e restantes adultos ouvirem. "Ah, olha tão lindo! Olha, dá para abrir, saem daqui coisas. Pode-se pôr isto aqui em cima, e fica uma girafa. É tão giro. E também dá para fazer castelos de areia na praia". Neste momento a criança pega naquilo, atira para longe, para não ter que passar por aquela vergonha alheia novamente, e agarra-se ao papel de embrulho. Já os pais, fazem a cara que têm a fazer e dizem "ah, ela faz sempre isso no início, amanhã já só quer brincar com isso". Claro que sim, aposto que foi o que o José e a Maria disseram aos Reis Magos quando eles ofereceram ouro, incenso e mirra ao menino. "Não se preocupem, se vierem cá amanhã por esta hora, ele já mudou o nome para Salgado, este estábulo parece uma loja d'o Boticário e já embalsamou o burro e vaca".
Eu acho-lhe uma graça...!

domingo, 20 de novembro de 2016

O triângulo - manual de instruções

Ah, o Outono... gosto tanto! As árvores vermelhas, as folhas a cair, as castanhas assadas, o friozinho, a lareira, a chuva... é, não é?! E os acidentes de viação, também gostas?!
Começa a chover, pronto. É toques por todo o lado. Pelo menos duas vezes por semana qualquer rotunda tem carros encostados uns nos outros e o triângulo lá atrás. Se for a rotunda dos patos é mais vezes, porque vai tudo a olhar para os patos. E porque numa das entradas na rotunda vem tudo a abrir.
Eu não sei se vocês concordam mas eu acho que o triângulo foi uma coisa que os portugueses inventaram para avisar os outros condutores que mais à frente houve molho, para começarem a abrandar e poderem passar bem devagarinho pelo acidente. Para terem cuidado e não se enfaixarem nos que já lá estão, não é? Não, para ver tudo, claro. Senão depois como é que podemos fazer a reconstituição do acidente? Há um protocolo a seguir quando vemos um triângulo fluorescente na estrada. Primeiro, ele deve ser colocado mais ou menos a 100 metros do local do acidente para dar tempo de tirar o telemóvel do bolso e ligar a câmara. Depois devemos abrandar e tentar imediatamente perceber se o acidente foi no nosso sentido ou no sentido contrário. Se foi do outro lado da estrada é mau, porque o nosso sentido está desimpedido e só podemos abrandar mas não parar. Se foi no nosso sentido óptimo, que assim passamos mais perto e podemos parar. Se o nosso sentido tem duas faixas e o acidente foi na nossa, ainda melhor. Assim podemos ir nessa faixa até mesmo em cima deles, muito devagarinho, parar ao chegar ao pé do acidente para ver tudo muito bem desse ângulo e só depois mudar para a faixa desimpedida, para ver tudo de outro ângulo. Sim, ao passar pelo acidente é permitido mesmo parar, para tirar fotos. Depois vemos se há sangue, alguém caído, ou se foi só chapa. E vemos se é alguém conhecido. Se é, paramos logo à frente, para entupir ainda mais o trânsito. Se não é, seguimos viagem a esgalhar, como é óbvio. A estrada está livre é para andar.
Eu acho-lhe uma graça...!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Diz-me o teu email, dir-te-ei a tua idade

Todos nós já recebemos emails com endereços que imediatamente revelam a idade da pessoa por incluírem o ano de nascimento, aqueles como "maria1998@hotmail.com" ou "joao.almeida.1989@iol.pt". Se eu fosse um ácaro, ou um programa de computador, a primeira coisa que fazia para tentar descobrir a vossa password era utilizar o ano de nascimento, que vocês próprios revelaram no endereço. Sim, porque me parece bastante provável que quem o põe no endereço também o utilize para a password... Um conselho: criem um endereço de email menos revelador, e mudem a password. Ah, e se o vosso email incluir o apelido da vossa mãe, como "antonio.castro.oliveira@live.com.pt" por favor não escolham como pergunta de recuperação da password "nome de solteira da mãe"! Silêncio...
Eu acho-lhe uma graça...!

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O copo meio cheio

Todos nós já passámos por aquele momento em que estamos num bar, numa festa de verão, num convívio, numa discoteca, num festival de música, no meio da multidão... e queremos beber uma cerveja! Isto não é um problema, são vários. O sítio onde se vendem está longe, é preciso passar no meio da multidão, perder o nosso posto tão confortável que tínhamos arranjado, levar encontrões de todo o lado... E chegando lá continuam. É preciso senhas pré-compradas noutro lado qualquer, está uma fila descomunal, e raramente nos dão um fino à borla por cada um que pedimos. Ninguém gosta deste ritual. E olhem que há quem goste muito de cerveja! Toda a gente liberta, mesmo que seja em silêncio, um "epáááá..." de desalento, num misto de desejo de matar a sede com uma cervejinha com uma quase certa odisseia desesperante para consegui-lo... Toda? Não! Uma pequena aldeia, habitada por irredutíveis gauleses ... esqueçam, isto é outra história.
Há sempre um amigo que está disponível para ir buscar os finos de toda a gente! Como? Porquê?! Qual pode ser a vantagem de ir buscar 5 finos e passar por este cenário todo, agravado pelo facto de ter que voltar para trás com cinco finos nas mãos, e entornar metade de cada copo no caminho? É precisamente aí que está o ouro, meus caros. O gajo sabe perfeitamente que ninguém o vai chatear quando ele chegar com cada copo um pouco menos cheio, porque toda a gente sabe pelo que ele tem que passar... com cinco finos na mão. Pois é, a verdade é que ele não os foi entornando pelo caminho com os encontrões... ele bebeu, pelo menos, um golito ou dois de cada copo. Este gajo, de cada vez que lá vai, é um grande amigo, mas bebe pelo menos o equivalente a um fino dos copos todos! E ainda fica com um fino para ele à borla, porque é mais fácil convencer o pessoal que serve a oferecer um fino por cada cinco, de vez em quando. Não admira que ao final da noite esteja a puxar uma carroça. "Epá, entornei um bocadinho sem querer de um copo ou dois, está muita confusão". Ai é, meu estadulho, e vens com os copos todos a meio porquê?!
Eu acho-lhe uma graça...!

sábado, 3 de setembro de 2016

Mais uma voltinha, mais um gritinho

Alguém me explica o que vai na cabeça daquelas pessoas que vão andar num carrossel e quando aquilo abranda a meio antes de andar outra vez ainda mais depressa e o senhor que põe aquilo a andar pergunta ao microfone "querem maaaais?" elas dizem "nããããão"...?! Ou melhor, alguém lhes explica que o objectivo é andar o máximo de tempo possível, e que aquilo ande o mais depressa possível? E eu não estou a falar dos que dizem "nããããão" a brincar, mas sim dos que estão mesmo a falar a sério. E começam também a fazer gestos e a gritar para os amigos que estão cá em baixo "Eu não quero mais! Chega! Vão lá dizer para parar! Nããããão...". Por acaso estas pessoas vão ao cinema e ao intervalo pedem para passar logo para aquelas letras do fim!? Pois, claro que não.
Também há aqueles que vão aos gritos do início ao fim, em falsete. Acham que aquilo é mais engraçado se forem o tempo todo aos gritinhos. Tenho uma novidade para vocês, não é fixe, é só... irritante, vá. Mais irritante só aqueles que passam a viagem toda a dizer adeus cá para baixo, mais ou menos como aqueles putos que vão no carro virados para trás a dizer adeus até obrigar o condutor que vem atrás a fazer um desvio só para não ter que os aturar mais. Estes ainda é pior porque como aquilo anda às voltas eles entram num loop de acenos em que o entusiasmo deles se renova a cada volta. Os putos no carro ao menos fartam-se e alguns desistem.
Eu acho-lhes uma graça...!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

À terceira nem sempre é de vez

Quem é que não sabe como é que se decide quem vai à baliza naqueles jogos da bola com amigos? Eu explico. A não ser que seja um GR fixo, o que é raro acontecer nestas peladinhas amigáveis, é a rodar entre todos os jogadores da equipa. E o critério para trocar o GR é a equipa sofrer golo.

Sofremos golo? Troca. Menos aquele que tem óculos e diz logo que não vai, porque tem medo de partir os óculos. Toda a gente percebe que é uma desculpa para não ir à baliza, mas como ninguém quer parecer moralmente reprovável, aceitam que ele não vá à baliza. Mas ele só faz isso uma vez, normalmente depois nunca mais é chamado para os jogos. Ah, e nesse jogo ninguém lhe passa a bola, claro. Também há aquele que diz assim "ah e tal, é melhor eu não ir, porque sou muito mau na baliza..." na esperança de não lhe calhar a vez. Ahahaha! Este vai na mesma, e sofre uma frangalhada que toda a gente vê que foi de propósito para sair da baliza rapidamente. Nesse caso fica na baliza outra vez que é para não se armar em esperto e ainda ouve uns nomes, sendo que os mais simpáticos devem ser algo como "oh mãos de aranhiço" ou "frangueiro de m**da". No caso de o GR sofrer uma frangalhada inacreditável mas não propositada (que às vezes é difícil distinguir, de tão inacreditável que é), os colegas de equipa não lhe chamam nomes mas viram-se para a frente para fazer caras feias e para recomeçar a jogar rapidamente, sem lhe dizer nada. E ele é obrigado a ficar na baliza mais uma ronda até sofrer golo outra vez. Ou até a própria equipa marcar 2 golos, que corresponde sensivelmente a um tempo razoável para trocar o GR que está a portar-se bem e a defender em condições. Se marcarmos 2 golos antes de sofrer, em princípio já passou tempo suficiente, porque 2 golos ainda demora a marcar. É outro critério para trocar o GR.

E como é que se decide a ordem pela qual os jogadores vão rodando pela baliza? É logo no início, antes de começar a jogar, e basicamente é por ordem de chegada. Depois de se definirem as equipas, em cada equipa os jogadores vão dizendo "sou o último a ir à baliza", "eu sou o penúltimo", etc... e aqui chamo a vossa atenção, porque escolher a posição na lista de troca de GR tem ciência! Vou desvendar as minhas tácticas para não ir à baliza nos jogos da bola com os meus amigos. Sim, isso mesmo. Tenho 2 tácticas preferidas, que vou utilizando consoante o perfil dos colegas que me calham na equipa.
1. Táctica do meio (é a minha preferida, a que resulta mais vezes)
Escolho ser "o terceiro a ir à baliza". Porquê... vai o primeiro, tudo bem, ainda está tudo cheio de vontade de jogar, a correr que nem uns doidos. Marcamos golo, sofremos golo, troca o GR. Vai o segundo. Tudo bem, segue o jogo. Com sorte, antes de sofrermos golo conseguimos marcar 2 golos, o que leva mais algum tempo. Marcámos 2, troca. É o terceiro (eu), mas... há SEMPRE um gajo que já está cansado e pede "deixa-me ir eu agora à baliza para descansar um bocado". Tudo bem. Segue o jogo, marcamos golo, sofremos golo, troca. Quem é? O quarto. Segue o jogo. Nisto, quem é que NÃO foi à baliza... exacto, o terceiro! E vocês agora pensam assim, se ele dissesse que era o último ainda era melhor, porque havia mais gajos cansados. Falso. Quando chega ao último já está tudo cansado, incluindo eu, e já toda a gente quer ir para a baliza na sua vez, para descansar. Ou seja, esta táctica do meio permite-me não ir à baliza e continuar a jogar quando ainda consigo respirar. Não precisam agradecer.
2. Táctica do baralha e volta dar (só resulta às vezes, é táctica de recurso)
Se alguém se antecipar a dizer que é o terceiro (porque já me toparam) digo logo assim "sou a seguir ao último". O que é que acontece... uns nem se apercebem que a seguir ao último não há ninguém, e deixam-me ficar com essa posição. Para esses nunca chegará a minha vez de ir à baliza. Os outros ficam ali a discutir comigo se "a seguir ao último é o primeiro" ou não. E eu prolongo a discussão até a outra equipa começar a chatear para começar a jogar, porque estamos a perder tempo. A este ponto, o importante é não dar o braço a torcer e não aceitar que "depois do último" é o primeiro. O que é que acontece, há SEMPRE alguém que aceita começar na baliza, só para o jogo iniciar. Obviamente esse que começa na baliza não tinha escolhido ser o primeiro, porque ninguém escolhe ser o primeiro. Resultado: baralha e volta a dar, e eu escolho ser "o terceiro a ir à baliza".

Eu acho-lhe uma graça...!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Se fizer músicas nos Santos, não beba

Santo António (13 de Junho) já se acabou
O São Pedro (29 de Junho) está-se a acabar
São João, São João (24 Junho)
Dá cá um balão
Para eu brincar
(...)

A única explicação que eu encontro para isto é a Lenita Gentil ter bebido o vinho antes de comer o caldo verde, a broa e a sardinha, ou então ter fumado o manjerico...